Quando você foi embora aquele dia, levou junto uma multidão de alegrias. E me deixou por um instante com uma vontade de chorar inédita. Mas não era tristeza, era honra pelo privilégio de ter tido uma avó como a senhora.
Quando você partiu. Enfim, sorri. Sorriso daqueles que limpam a poeira dos cantos da boca e fazem os olhos pingarem. Naquela noite a lua brilhava atrás do morro, mal sabia eu que aquele silêncio era você me dizendo Adeus.
E agora, estou aqui, lembrando o tempo que passamos juntos, tão breve mas tão inteiro.
Lembrarei sempre, cada uma dessas grandes alegrias, dos nossos jogos de dama, da montagem do quebra-cabeça de 1000 peças, dos pudins feitos com amor, das amêndoas deliciosas, do miojo maravilhoso que a senhora fazia e ficava mais gostoso que o meu, das suas dobras de sacola, do jeito que eu a fazia rir com minhas loucuras, como aquela que achei que tinha um bicho na geladeira, ahhh, de ver você me mostrando os seus crochês, bolsas, cestos e o tão organizado era seu guarda-roupa, dos filmes que assistimos juntos, das músicas que ouvíamos e cantamos, de você ter andado no meu fusquinha, de você sempre perguntar sobre minhas pretendentes, enfim, das vezes que brincava com você nas viagens, sempre dizendo que ia arrumar um barraco pra você morar. Tantas lembranças, mas foi muito mais que isso. Mas tudo está guardado aqui, no meu coração, lembranças que eu posso sempre revivê-las toda vez que eu lembrar de você.
Dizem que o melhor jeito de existir é na lembrança de alguém.
Eu te lembro hoje, amanhã e sempre.
Te amo.
Rubem Dario
15/04/2020